A maquiagem feita às pressas esconde aquele rosto triste.
Solitário espera chamarem seu nome.
É a hora.
Show time !
Não precisa sorrir, a pintura em sua boca se encarrega disso.
Faz mesuras, cumprimenta a todos.
Sem o menor entusiasmo, sua cabeça está longe dali.
A cada previsível gesto seu, pessoas fingem se surpreender.
O mesmo número repetido por uma vida toda.
Os risos sem fim da platéia soam como escárnio, zombaria.
Ah, se eles soubessem...
Ele dança,
Toma chutes,
Cai,
Leva as previsíveis tortas na cara.
E levanta.
Sorri.
Faz mesuras.
Para aquelas pessoas que riem de seus infortúnios.
Despreocupadas.
Sádicas até.
Será que ririam se vissem seu olhar por baixo da maquiagem pesada ?
Cai o pano.
Hora de tirar a maquiagem.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
A menina no cesto de palha
Uma ilustração no blog de uma nova amiga me fez pensar.
Muitas vezes a gente se fecha de tal forma no nosso mundo interior, que a visão fica restrita.
Tão restrita que muitas vezes nem sabemos o que está lá dentro.
Dentro de nós.
Essa quase-cegueira louca, restringe tudo. O que achamos de nós, das pessoas, da vida.
E porque chegamos a esse ponto ?
Nem é o caso de questionar a vida. Mas sim, porque deixamos as coisas chegarem a esse ponto.
Começando a me questionar.
Mas na verdade nem sei se quero as respostas.
Muitas vezes a gente se fecha de tal forma no nosso mundo interior, que a visão fica restrita.
Tão restrita que muitas vezes nem sabemos o que está lá dentro.
Dentro de nós.
Essa quase-cegueira louca, restringe tudo. O que achamos de nós, das pessoas, da vida.
E porque chegamos a esse ponto ?
Nem é o caso de questionar a vida. Mas sim, porque deixamos as coisas chegarem a esse ponto.
Começando a me questionar.
Mas na verdade nem sei se quero as respostas.
terça-feira, 27 de abril de 2010
Bússola
Hoje ouvi algumas coisas que achei importantes a respeito desse meu atual estado de inércia, de vazio.
E na verdade o vazio está cheio. Está repleto de decepções, insatisfações, frustrações.
Na realidade o que estou procurando é fugir do caminho do rato. Sigo como um hamster, correndo naquela roda, na gaiola, correndo, correndo. E indo do nada para lugar nenhum.
E me acostumei a isso. E vou girando, girando.
O tempo todo ali.
Acostuma-se.
A situação é cômoda.
Saúde, tenho.
Dinheiro, o suficiente.
Condições de vida, o bastante para me manter vivo e acomodado.
Qual o norte ?
Alguém aí tem uma bússola ?
De preferência que aponte prá dentro.
Aqui dentro.
E na verdade o vazio está cheio. Está repleto de decepções, insatisfações, frustrações.
Na realidade o que estou procurando é fugir do caminho do rato. Sigo como um hamster, correndo naquela roda, na gaiola, correndo, correndo. E indo do nada para lugar nenhum.
E me acostumei a isso. E vou girando, girando.
O tempo todo ali.
Acostuma-se.
A situação é cômoda.
Saúde, tenho.
Dinheiro, o suficiente.
Condições de vida, o bastante para me manter vivo e acomodado.
Qual o norte ?
Alguém aí tem uma bússola ?
De preferência que aponte prá dentro.
Aqui dentro.
domingo, 25 de abril de 2010
Talvez
Caminho por aí.
Uma cratera se abre na calçada.
Caio.
Me perco.
E a esperança ?
Não, não há culpa nenhuma.
Mas tento, por instinto de sobrevivência encontrar a saída.
Saio.
No dia seguinte, passo pelo mesmo lugar.
Finjo não ver a cratera aberta na calçada.
Caio de novo.
Não tem importância.
A mesma sensação de estar sufocado me faz sair novamente.
E isso se prolonga pelos dias.
Vira um estranho hábito.
Amanhã quem sabe eu desvie, dê a volta.
Quem sabe andarei por outra rua.
Uma cratera se abre na calçada.
Caio.
Me perco.
E a esperança ?
Não, não há culpa nenhuma.
Mas tento, por instinto de sobrevivência encontrar a saída.
Saio.
No dia seguinte, passo pelo mesmo lugar.
Finjo não ver a cratera aberta na calçada.
Caio de novo.
Não tem importância.
A mesma sensação de estar sufocado me faz sair novamente.
E isso se prolonga pelos dias.
Vira um estranho hábito.
Amanhã quem sabe eu desvie, dê a volta.
Quem sabe andarei por outra rua.
Adiando o inadiável
Faz tempo que estou nessa vida meio "like a rolling stone".
Quero a urgência.
A iminência que algo pode acontecer.
Me sinto adiando alguma coisa, inadiável.
Saio de casa e vou para a rua. Está sol.
Tudo parece turvo, ruas, praças, bosques, pessoas.
Sinto como se fosse sempre mais do mesmo.
Gritos, risos, solidariedade, pequenez, mesquinharias.
Sigo meu caminho assim. Ereto, impávido.
Retribuo aquele bom dia a quem me cumprimenta.
Sorrio de forma vazia. Ninguém percebe.
O tamanho da indiferença aqui dentro tem o poder de cegar.
Sol, árvores, barulho, nada tem o poder de me tirar desse estado letárgico.
E o que eu estou fazendo com essa jaqueta de couro ?
O calor me desperta, o abafamento dentro da roupa soa como a vida abafada. Lá dentro.
Estou na rua, mas preciso de ar.
Volto prá casa.
Quero a urgência.
A iminência que algo pode acontecer.
Me sinto adiando alguma coisa, inadiável.
Saio de casa e vou para a rua. Está sol.
Tudo parece turvo, ruas, praças, bosques, pessoas.
Sinto como se fosse sempre mais do mesmo.
Gritos, risos, solidariedade, pequenez, mesquinharias.
Sigo meu caminho assim. Ereto, impávido.
Retribuo aquele bom dia a quem me cumprimenta.
Sorrio de forma vazia. Ninguém percebe.
O tamanho da indiferença aqui dentro tem o poder de cegar.
Sol, árvores, barulho, nada tem o poder de me tirar desse estado letárgico.
E o que eu estou fazendo com essa jaqueta de couro ?
O calor me desperta, o abafamento dentro da roupa soa como a vida abafada. Lá dentro.
Estou na rua, mas preciso de ar.
Volto prá casa.
sábado, 24 de abril de 2010
Cinzas
O amanhã respira ofegante e vaidoso.
Polui ar respirado pelas pessoas que gemem.
O corpo levita, sorrateiro.
Por entre prédios, muros, apartamentos.
Cinzas.
O pior parece prestes a vir, se engolfando por entre as frestas.
Calma.
Talvez o pior dos sentimentos agora.
Os pés cravados no chão.
Mórbidos.
Não existem mais profecias no asfalto molhado.
Sina.
Quando a dor perde o sentido.
Vislumbramos atônitos,
A chegada do fim.
Apáticos.
Polui ar respirado pelas pessoas que gemem.
O corpo levita, sorrateiro.
Por entre prédios, muros, apartamentos.
Cinzas.
O pior parece prestes a vir, se engolfando por entre as frestas.
Calma.
Talvez o pior dos sentimentos agora.
Os pés cravados no chão.
Mórbidos.
Não existem mais profecias no asfalto molhado.
Sina.
Quando a dor perde o sentido.
Vislumbramos atônitos,
A chegada do fim.
Apáticos.
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